Restart-Serra · UCS Canela · 26 e 27 set 2026

Seis ideias, uma ficha.

A banca desempata por viabilidade. País com desastre recorrente não ganhou com gadget. Ganhou com último quilômetro, canal redundante e estoque que muda de rota.

Protótipo 18h30 · MVP domingo 11h30 · pitch 3 min. Notas desta página são leitura, não nota da banca.

O que já existe onde o desastre volta

Não é catálogo. É o que esses lugares operam, e o que isso proíbe a gente de prometer.

Bangladesh, ciclone

76 mil voluntários na costa. Bandeira de três níveis na praça, megafone, porta a porta. O aviso sai em menos de 15 minutos. Quem não tem celular também recebe. O último quilômetro é gente.[1][2]

Chile, terremoto e tsunami

Depois de 2010, o SAE manda alerta por cell broadcast para todo celular ligado na área, sem depender de SMS congestionada. De 2014 a junho de 2025 foram 1.652 usos, 183 de tsunami. Sirene na costa cobre quem não está no telefone. A torre só alerta quem ainda tem sinal.[3][19]

Japão, 2011

Em Tóquio, longe da onda, a prateleira esvaziou de água, macarrão e bateria. Havia estoque. A corrida esvaziou a gôndola e travou a ajuda de quem precisava. Relatório depois: sem estrada, sem gasolina, sem entrega. O 7-Eleven desviou a rede de um lado de Tóquio para servir a região atingida.[4][5]

Porto Rico, furacão

Um mês depois do Maria, 77% dos sites celulares ainda estavam fora. O teste que segurou texto foi rádio de malha carregado por pessoas, um salto medido de 23,1 milhas, com altura. Não foi totem solar dormindo na calçada.[6]

Aula para esta banca: bandeira e pessoa vencem app no último metro. Cell broadcast não substitui a hora em que a torre cai. Prateleira vazia muitas vezes é pânico mais rota, não falta absoluta. Malha que presta é a que cabe no bolso, com alcance medido.

A ficha, com a sexta ideia

Pesos do regulamento: viabilidade 25, inovação 20, impacto 20, aderência 15, protótipo 10, comercialização 10. Desempate: viabilidade, depois inovação, depois impacto.[14]

IdeiaDesafio VIImp AdPrCo Total
1. Validade Viva1221517159886
2. Frio que Decide1191616147880
3. Ilha do Hotel4131818158577
4. Rota Fria3161516148776
5. Pilha Comum2141219156672
6. Malha de totem4111617146569

Ilha passa Rota no total e perde no desempate (viabilidade 13 contra 16). Malha fica por último na ficha e pode ganhar o corredor. 1º lugar, nesta rubrica, ainda é a 1.

Abrir demo da ideia 1 Ir para a malha
Ideia 1 · desafio 1 · trava

Validade Viva

Foto do lote vira fila. Crise troca a regra do mesmo estoque: vender hoje, desviar, decidir no hub, ou segurar.

86
de 100, leitura
Viabilidade 22 Inovação 15 Impacto 17 Aderência 15 Protótipo 9 Comercial 8

O Japão de 2011 ensina o miolo: a gôndola zerou com produto ainda no sistema, porque ninguém reordenou o que já existia.[4][5] Em maio de 2024, mercado de Gramado repetiu o padrão: item básico sumiu com o distribuidor parado no vale.[11] O desafio 1 pede exatamente conservar perecível com inteligência em tempo de crise.[14]

Fortes

  • Pagador privado: fábrica com recheio curto, hotel, mercado. Não é prefeitura.
  • Demo hoje, no celular, sem rádio. Abrir.
  • Aderência cheia no texto do desafio.
  • O prêmio de R$ 10 mil cabe num piloto de uma câmara. O dinheiro fica na ITEC.[14]

Fracos

  • Se a banca só vir "app de validade", a inovação cai. A frase é: ERP registra, isto decide.
  • Sem nome de pagador na sala, os 22 de viabilidade viram 16.
  • A régua de temperatura é de tela, não laudo. Não detecta patógeno.
  • Tiny e Bling existem. A defesa é a troca de regra quando a serra fecha, não o cadastro.

TAM, SAM, SOM

TAM · problema, não software
R$ 61,3 bi

Prejuízo anual de desperdício de alimento no Brasil, Valor, 2024.[18] CNN: o custo do desperdício equivale a 32% da receita na cadeia do varejo alimentar brasileiro.[17] Não é mercado de app.

SAM · serra, com premissa
R$ 223 mil/ano

Fato Gramado: 216 meios de hospedagem licenciados, 24,7 mil leitos.[16] 7 fábricas na Achoco em abr/2025. O cadastro da cidade, na mesma matéria, era 28.[20]

Premissa 40% dos meios têm cozinha que perde perecível (86). Preço R$ 200/mês. 86 mais 7, vezes 12. Canela (31 no Cadastur da mesma matéria) ficou de fora para não misturar censo.[16]

SOM · 12 meses
R$ 19 mil

Premissa 8 contas (3 fábricas, 5 hotéis) a R$ 200/mês. Cabe no piloto da ITEC. Não promete empresa de milhão no ano 1.

Páscoa 2026: Achoco projetava 850 toneladas, 150 a mais que o ano anterior.[12] DeCacau comprou centro logístico e planeja investir R$ 50 milhões para dobrar produção.[13] Sinal de mercado. Não é cliente. Florybal é a cesta do prêmio, não parceira.[14]

Ideia 2 · desafio 1 · backup escrito

Frio que Decide

A data do rótulo mente depois da hora parada na serra. O produto diz para qual loja o lote ainda chega inteiro.

80
de 100, leitura
Viabilidade 19 Inovação 16 Impacto 16 Aderência 14 Protótipo 7 Comercial 8

É a mesma dor da ideia 1, pelo lado da excursão térmica. O Japão parou entrega porque faltou estrada e gasolina, não porque a data impressa mudou.[5] Aqui o caminhão parado na RS-235 faz o mesmo com recheio e proteína.

Fortes

  • Mais crível que "app de estoque", se a curva for declarada como lacuna, não como laudo.
  • Pagador é o mesmo da ideia 1, com ticket maior se houver sensor.
  • Backup obrigatório do regulamento fica honesto: segunda opção, mesma dor.[14]

Fracos

  • Logger de temperatura já é categoria. A originalidade tem que ser a decisão local (qual loja, qual estrada), não o sensor.
  • Sem sensor na mochila, o protótipo de hoje perde. Por isso não é a trava.
  • Prometer vida útil real sem ensaio é mentira de banca. A régua de 6 h por grau é regra de tela.

TAM, SAM, SOM

TAM
Não inflado

Não achei censo de mercado de logger no Brasil para citar. Usar os R$ 61,3 bi de desperdício seria inflar. Não uso.[18]

SAM · só fábrica, ano 1
R$ 33,6 mil/ano

Premissa 7 associadas da Achoco[20] a R$ 400/mês (sensor mais software). Hotéis ficam fora no ano 1: sensor complica a venda.

SOM · 12 meses
3 fábricas

Premissa Hardware do piloto só se a ITEC aprovar. Assinatura depois de um lote real. Receita ano 1 pode ser perto de zero. Isso é honestidade, não fraqueza escondida.

Ideia 3 · desafio 4 · só se o palco pediu conectividade

Ilha do Hotel

Quando a torre cai, dois celulares do mesmo prédio ainda passam: água até 18h, gerador ligado, estrada cortada.

77
de 100. Perde desempate.
Viabilidade 13 Inovação 18 Impacto 18 Aderência 15 Protótipo 8 Comercial 5

O Chile mostra o limite: cell broadcast é ótimo enquanto a torre vive.[3] Porto Rico mostra o buraco: um mês com a maioria das torres mortas.[6] Bangladesh mostra o que falta se o hóspede não tem app: uma pessoa ainda bate na porta.[1] Esta ideia é o buraco, não o SAE.

Fortes

  • Aderência literal ao desafio 4: isolamento, sem energia, sem internet.[14]
  • Demo de modo avião é visual e barata.
  • Comprador pode ser privado se for o hotel, não a defesa civil.
  • Copia o que funcionou em Porto Rico: rádio no bolso do time, não infraestrutura de cidade.[6]

Fracos

  • Viabilidade 13. Desempate começa aí. Palco não segura 1º lugar.
  • Se o pitch citar defesa civil como quem paga, cai mais.
  • Wi-Fi direto no quarto não atravessa a serra. Sem alcance medido, é teatro.
  • Hóspede em pânico não instala app. O último metro ainda é gente.[2]

TAM, SAM, SOM

TAM
Sem número

Não achei gasto brasileiro de comunicação de hotel em queda de torre para citar. Inventar TAM de defesa civil seria o erro que derruba a ideia.

SAM · premissa estreita
R$ 57,6 mil/ano

Fato 216 meios em Gramado.[16]

Premissa 15% em encosta ou com queda recorrente (32) a R$ 150/mês. 15% não é pesquisa. É teto para não fantasiar.

SOM · 12 meses
1 hotel

Um prédio, uma equipe, kit pequeno. Receita de assinatura só depois que o rádio funcionar numa queda real ou simulada. Ano 1 é piloto, não contrato municipal.

Ideia 4 · desafio 3 · se o parceiro for logística

Rota Fria

Waze acha o curto. A fábrica precisa do caminho que não mata o frio. A carga se parte: sobe agora, espera, ou fica no hub.

76
de 100, leitura
Viabilidade 16 Inovação 15 Impacto 16 Aderência 14 Protótipo 8 Comercial 7

O 7-Eleven, dias depois do Tohoku, não esperou a estrada original. Desviou a rede de distribuição de um lado de Tóquio para servir a região atingida.[5] É isso, em escala de serra: ERS-115, RS-235, Serra Grande, e o lote frio não segue o atalho que estoura a temperatura. Maio de 2024 na Hortênsias foi essa cena.[11]

Fortes

  • Aderência direta ao desafio 3: grandes distâncias, rota, continuidade.[14]
  • História local que a banca viveu.
  • Sinal fresco, não cliente: DeCacau e o centro logístico, 18 set 2026.[13]
  • Demo é três rotas e uma carga. Não precisa de API ao vivo.

Fracos

  • Mapa parece Waze se a decisão de frio não couber numa frase.
  • O despachante pode não estar na sala. Viabilidade fica em 16, não em 22.
  • Sem dado ao vivo de bloqueio, o domingo é simulação. Dizer isso. Não fingir integração com DAER.

TAM, SAM, SOM

TAM
Sem frete citado

Não achei valor de frete da serra para usar. Não chuto o mercado de transporte do RS.

SAM · premissa
R$ 60 mil/ano

Premissa 10 operações que sobem carga fria a R$ 500/mês. As 28 fábricas cadastradas em 2025 não são 28 frotas.[20]

SOM · 12 meses
1 operação

Um despacho, um hub, um bloqueio simulado virando rotina. A DeCacau é contexto da semana, não lead.[13]

Ideia 5 · desafio 2 · impacto alto, produto fraco

Pilha Comum

Antes do próximo caminhão, mercado, hotel e fábrica dizem o que ainda têm e movem o item crítico entre si.

72
de 100, leitura
Viabilidade 14 Inovação 12 Impacto 19 Aderência 15 Protótipo 6 Comercial 6

É a lição do Japão no desafio 2. A corrida às compras esvaziou loja que ainda podia receber, e o governo temeu que o estoque não chegasse a quem estava na zona do desastre.[4] O ciclo foi: gôndola vazia, mais pânico, mais gôndola vazia.[5] Gramado em maio de 2024 pediu para a população não comprar volume excessivo, com arroz, farinha e água em falta.[11]

Fortes

  • Maior impacto social das seis. A foto da prateleira abre o pitch.
  • Aderência cheia ao desafio 2: ruptura, prioridade, continuidade.[14]
  • Não precisa de hardware. Três papéis na mesma tela já são o conceito.

Fracos

  • Parece grupo de WhatsApp com planilha. Inovação 12.
  • Consórcio não fecha em 48 horas. Viabilidade sofre.
  • Quem mostra o próprio estoque para o concorrente? Sem resposta, o produto não existe.
  • Protocolo não vira assinatura fácil.

TAM, SAM, SOM

TAM
Pânico, não R$

O fato é qualitativo e forte: estoque existia e a gôndola zerou.[4][5] Não tenho R$ da Hortênsias para esse efeito. Não invento.

SAM
1 consórcio

Premissa Uma rede de mercado, 10 hotéis, 5 fábricas. Sem preço, porque ninguém assina isso no fim de semana.

SOM · 12 meses
R$ 0

Ano 1 é protocolo e um quadro compartilhado. Se a equipe for de impacto, não de 1º lugar, esta é a escolha consciente.

Ideia 6 · desafio 4 · a proposta da malha

Malha de totem

ESP32 em malha, painel, bateria, deep sleep, uso turístico no dia a dia e canal de socorro quando a torre cai. Dois produtos colados. Ficha mais baixa.

69
de 100. Palco forte, 1º lugar fraco.
Viabilidade 11 Inovação 16 Impacto 17 Aderência 14 Protótipo 6 Comercial 5

O instinto está certo: rede que só existe para a próxima enchente não tem receita. O erro é quem paga, qual rádio, e o que o nó faz enquanto dorme.

O que o mundo comprou não é este slide. Bangladesh comprou voluntário e bandeira, não totem.[1][2] Chile comprou alerta na torre que ainda está de pé, mais sirene.[3][19] Porto Rico mediu malha carregada por gente, com um salto de 23,1 milhas num teste com altura, depois de 77% das torres ainda fora um mês após o furacão.[6] Texto off-grid em ESP32 com bateria e painel já tem nome: Meshtastic, e o rádio é LoRa, não o Wi-Fi do chip.[9][15]

Fortes

  • O desafio 4 é o texto. Isolamento, energia, internet. Aderência alta se o turismo gamificado sair do headline.[14]
  • Três placas, uma chave normal/calamidade, Wi-Fi derrubado, texto que salta: a banca lembra, se funcionar.
  • Pacote curto, sem voz e sem vídeo, é o escopo honesto. Paper de 2026 mediu LoRa a 7,2 km em campo aberto e ESP-NOW a 120 a 180 m.[10]
  • Uso diário é a pergunta certa. A resposta (prefeitura) é que está errada, não a pergunta.

Fracos

  • Deep sleep e malha não cabem no mesmo nó. Quem dorme não retransmite. Relé fica acordado. Folha dorme.[8]
  • ESP-WIFI-MESH, na comparação da Espressif, recomenda vizinho abaixo de 100 m, com teste até cerca de 170 m se o tráfego for baixo. Camadas recomendadas: 5 a 6.[7] Três placas provam um salto. Não provam bairro.
  • Chuva é o desastre daqui. Painel rende menos na hora em que a torre cai. O que segura 72 h é bateria. Painel recarrega depois.
  • Comutação automática não está na mesa se a chave é manual. Geolocalização e fluxo de pedestre abrem LGPD e não saem do ESP32 sozinhos.
  • Prefeitura e defesa civil não pagam segunda. Licença de calçada é meses. O prêmio de R$ 10 mil não constrói rede municipal.[14]
  • Sala cheia de roteador é o pior lugar para o rádio ao vivo. Se falha, perdem os 10 de protótipo, que era a vantagem.

TAM, SAM, SOM

TAM
Não é o SAE

O mercado que o Chile opera é alerta de massa na torre da operadora, de graça para o cidadão, pago como obrigação das teles.[3] A gente não entra nesse mercado. Totem turístico também não é esse mercado.

SAM · se o comprador for hotel
R$ 33 mil/ano

Fato 216 meios em Gramado.[16]

Premissa 5% pagariam rádio de equipe (11) a R$ 250/mês. 5% é teto, não pesquisa. Município fora da conta de propósito.

SOM · 12 meses
1 corredor

Premissa 8 nós a R$ 180 de peça, cerca de R$ 1,4 mil. O prêmio compra esse corredor e a bateria de 72 h, se a ITEC aprovar. Não compra cidade. Assinatura só depois do salto medido na serra, não na mesa.

Se o desafio 4 já foi entregue, não troca no domingo. Conserta a frase: comprador é um hotel ou uma fábrica. Alcance é o que a placa provar, não a região. Relé não dorme. Painel não é o que mantém o alerta na noite do temporal. Tira defesa civil, fluxo de pedestre e "aciona automaticamente".

Como usar isto até domingo

Fontes

O que não tem fonte está marcado como premissa no card, não aqui.

[1] BBC, 2022. Bangladesh, bandeira e voluntário. bbc.com/future
[2] WINTK, 2026. CPP, menos de 15 minutos, 76 mil voluntários. win-tk.org
[3] GSMA, 2025. Chile, SAE, cell broadcast, 1.652 usos até junho de 2025. PDF
[4] CBS, 15 mar 2011. Corrida às compras em Tóquio. cbsnews.com
[5] CNA, 2017. Estoque existia, gôndola zerou, 7-Eleven desviou a rede. PDF
[6] goTenna, 2020. Porto Rico, 77% das torres um mês depois, salto de 23,1 milhas. gotennapro.com
[7] Espressif. Comparação de mesh: distância e camadas do Wi-Fi mesh. docs.espressif.com
[8] ESPHome. Em deep sleep o nó não responde tráfego de rede. esphome.io
[9] Mazur, 2025. Meshtastic: ESP32 mais LoRa, não Wi-Fi do chip. PDF
[10] IJRPR, jun 2026. LoRa 7,2 km em campo aberto, ESP-NOW 120 a 180 m. PDF
[11] abcmais, 8 mai 2024. Prateleira em Gramado, distribuidor no vale. abcmais.com
[12] abcmais, 21 fev 2026. Achoco, 850 toneladas na Páscoa. abcmais.com
[13] GZH, 18 set 2026. DeCacau, centro logístico, plano de R$ 50 milhões. gauchazh.clicrbs.com.br
[14] Regulamento do Hackathon Hortênsias, lido em 26 set 2026. Canva do evento
[15] Meshtastic. Região LoRa, inclusive Brasil 902 MHz. meshtastic.org
[16] Jornal do Comércio, 17 ago 2025. Gramado, 216 meios, 24,7 mil leitos. Canela, 31 hotéis e pousadas no Cadastur citado. jornaldocomercio.com
[17] CNN Brasil, 2 abr 2026. Desperdício equivale a 32% da receita na cadeia do varejo alimentar brasileiro. cnnbrasil.com.br
[18] Valor, 15 out 2024. Brasil perde R$ 61,3 bilhões por ano com desperdício de alimentos. valor.globo.com
[19] EENA. Chile, sirene de tsunami na costa e SAE depois de 2010. eena.org
[20] Jornal do Comércio, abr 2025. 28 fábricas cadastradas em Gramado, 7 na associação. jornaldocomercio.com